sexta-feira, novembro 25, 2005

Histórias de bastidores...

Chegou o dia da estreia, faltam poucas horas para os amigos e não só estarem sentados a examinar todos os promenores que se passam no palco. Não estava nervoso, estava desiludido comigo próprio depois daquele ensaio geral que tinha sido uma merda. Já pensava no que me tinha metido, tinha pavor de que as pessoas iriam-me ver falhar, então, disse para mim mesmo não vais ser capaz mas não posso voltar atrás. Chorei e voltei a chorar. Como se não bastasse estava a ter uma semana complicadissima profissionalmente e a dor de dentes resolveu aparecer para desejar boa sorte. Estava um caco e a pressão era muita, eram os meus colegas do mISCuTEm, os do trabalho e eu próprio.
Os preparativos como colagem de cartazes e montagem de sala e contactos no ISCTE não estavam fáceis, reversavamos os mesmos e só os mesmos, o choro foi mais uma vez inevitável agora de raiva. Salvou-nos a amizade daqueles que nada tinham de fazer mas mesmo assim estavam lá de corpo, alma e espirito.
Faltavam poucos minutos, a venda já decorria, o despe e siga para o palco um alvoroço, espretava-se os amigos chegarem e o medo mas também uma alegria pelo amor deles em virem.
Coloquei-me num cantinho ao escuro a fumar um (só um?) cigarro e a ouvir música para descomprimir mas veio-me à memória que haviam duas pessoas que nunca poderiam lá ir ver-me mesmo que quissessem muito, eles não podiam sentar-se na plateia teriam de ver lá do alto. Será que o tecto da sala permitia uma boa visão? Os meus olhos encheram-se de saudade, de vontades contrárias, eu lembrei-me que nunca mais eles me poderiam ver mesmo que quissessem muito. Disse-lhes baixinho, no mesmo cantinho escuro, que em memória dos tempos em que eles me viam quando queriam muito iria dar o meu melhor, que lhes entregaria em bandaja aquele momento. Lembrei-me do que me tinham dito naquela tarde, mesmo que vás nervoso vai a sorrir, veste aquele sorriso que te assenta melhor, faz com prazer porque se não conseguires provar o teu melhor conquistas toda a plateia com o teu sorriso lindo. E aí sorri, fui confiante para cena.
Depois era esperarmos com ansiedade pelos colegas para saber como estava a correr, era muita merda que andava de boca em boca.
No final a apoteose da humildade dos aplausos misturado com o aroma das flores, dos beijos, dos abraços e sorrisos cumplices para mais tarde recordar.

6 Comments:

At 25 novembro, 2005 21:59, Blogger Lord_Nelson said...

O prazer e as incognitas do palco... Há demasiado tempo não as sinto. Parabéns por estares envolvido em tão amavel actividade como é o teatro.

 
At 26 novembro, 2005 01:48, Blogger colher de chá said...

q saudades me deste, que memórias me trouxeste.

break a leg ;)

 
At 26 novembro, 2005 02:18, Blogger Unknown said...

Nestas andanças só se diz obrigado depois de assistirem por isso fico à espera de vos ver na plateia para poder agradecer.

 
At 27 novembro, 2005 21:02, Blogger vivencias said...

Sobrinho (emprestado) és o verdadeiro artista. E que bem encarnaste a personagem.
Os nervos são naturais, muito saudaveis e não se notvava nada.
Adorei
Beijinhos
Do Tio

 
At 28 novembro, 2005 18:18, Blogger Johanna said...

Muitos parabéns, André!! :-) Tu, sim, REBENTASTE!!! *Boooom* eheh Lembra-te que acima de tudo, isto é para nos divertirmos... se não nos divertimos, o público fica tão desmotivado quanto nós... ;-)

 
At 03 dezembro, 2005 01:23, Blogger Unknown said...

A todos o meu obrigado! Pela cumplicidade, pelo carinho e simplesmente por acreditarem em mim. Pela força... enfim pela amizade.
Portem-se mal mas sempre com muita classe, beijos a cair de chic

 

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